‘O principal problema do Brasil é a grande dívida pública’, revela presidente do Banco Central

País falido? Para presidente do Banco Central o Brasil precisa cuidar urgente de sua dívida pública: ‘Os investidores já estão com medo’, disse

Para o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, o principal problema do país atualmente é a grande dívida pública da nação.

Desta forma, em entrevista a Voz do Brasil, Campos Neto destacou que nem mesmo a possibilidade de um aumento na inflação é um preocupação tão grande como o déficit nos cofres públicos.

“O problema principal do Brasil agora é a dívida grande para administrar. Um ponto super importante, talvez ponto chave, é conquistar credibilidade com a continuação das reformas e com um plano que indique a clara percepção para investidores que país está preocupado com trajetória da dívida pública”, afirmou.

Ainda segundo Campos Neto, o temor quanto a falta de dinheiro da União para pagar as contas também tem impactado o mercado.

Assim, Campos Neto lembrou que a curva de juros doméstica atualmente é uma das mais inclinadas do mundo, atribuindo o fato às incertezas em relação ao quadro fiscal.

O presidente destacou também que as taxas dos títulos públicos de médio e de longo prazo aumentaram desde o início da pandemia por causa dos receios sobre a economia brasileira. Quanto maior a inclinação, maior a desconfiança dos investidores.

Para ‘combater’ estas incertezas Campos Neto divergiu do Presidente da República, Jair Bolsonaro, que tem defendido o aumento de gastos públicos e defendeu a necessidade de que o país retome as reformas estruturais e adote um plano fiscal para conter a dívida pública, que cresceu durante o surto global de covid-19.

Inflação e Pix

Com relação a possibilidade de um ‘desgoverno’ na inflação que poderia levar o país de volta a vivenciar uma hiperinflação, como alertou o Ministro da Economia, Paulo Guedes, Campos Neto disse estar tranquilo.

“Temos dito que estamos relativamente tranquilos. Estamos acompanhando o processo”, afirmou.

Já sobre o Pix, principal projeto do Banco Central em 2020, Campos Neto comemorou a primeira semana do novo sistema que chamou de sucesso.

Ele também explicou que o novo sistema está em linha com a evolução do processo de pagamentos em todo o mundo e atende à demanda por um modelo rápido, barato, seguro e aberto.

“O Pix tem essas características. Tem uma característica de ser uma transferência muito barata, vai gerar novos modelos de negócio, vai baixar o custo operacional de pequenas empresas. Então, entendemos que o Pix veio para ficar e continuará crescendo. Vai ser uma forma de pagamento que vai gerar inclusão, melhoria no custo operacional das pessoas e das empresas”, declarou Campos Neto.

CBDC

Embora não tenha abordado, durante a entrevista, a criação de uma moeda digital, ao Cointelegraph, Campos Neto destacou que o BC pretende ‘acabar’ com o dinheiro físico com a instituição de uma Moeda Digital de Banco Central, CBDC.

Citando experiências de CBDC em outras nações, Campos Neto declarou pela primeira vez que a intenção de um CBDC no Brasil é substituir o uso do dinheiro físico, com um todo.

“É uma moeda digital só para pagamentos de câmbio? Não. É uma moeda digital que entendemos que vai se estender e vai substituir a moeda física aos poucos”, disse.

Campos Neto também declarou que isto não significa que um CBDC vá substituir o Real 100% de uma só vez. Apesar disso, a idéia é digitalizar o Real:

“Nós estamos avançando no caminho de ter uma moeda digital , de ter um processo mais digital ,isso não significa que vai substituir a moeda física 100% nesse momento, isso não significa que existe um intuito de fazer de uma forma diferente , só para câmbio ou só para um produto. Não. O intuito é ter uma moeda digital como um todo. É ter o Real digitalizado”, disse.

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