‘Revolução das criptomoedas’ está em curso e estranhos serão aqueles que optarem por ficar de fora, diz Bruno Perini

Educador financeiro e influenciador sócio do Grupo Primo comparou a ascensão do Bitcoin à Revolução Francesa para defender a tese de que “chegará um tempo em que não ter criptomoedas será muito estranho.”

A revolução das criptomoedas está em curso e dificilmente governos ou instituições serão capazes de pará-la, assim que, no futuro, estranhos serão aqueles que optarem por não possuir esta nova classe de ativos emergentes em seu portfólio, afirmou o educador financeiro e influenciador Bruno Perini em artigo publicado no portal e-investidor, na quinta-feira, 28.

Comparando-a com a Revolução Francesa, que marcou a transição do sistema monárquico para o republicanismo democrático, Perini baseia sua tese em favor das criptomoedas nos quatro fatores determinantes para a aceitação e a incorporação de novas tecnologias pela civilização humana identificados pelo historiador Jared Diamond em seu best-seller “Armas, Germes e Aço”.

Os dois primeiros são a vantagem econômica em comparação com a tecnologia dominante e a facilidade com que tais vantagens podem ser observadas pelas pessoas. De acordo com Perini, o histórico de evolução do preço do Bitcoin (BTC) fala por si só: o BTC não valia absolutamente nada quando a rede entrou em operação há 12 anos e hoje está cotado em torno de US$ 39.000.

No entanto, é bom lembrar que o Bitcoin já chegou a custar US$ 69.000. O fato de que hoje esteja valendo 43% a menos do que seu recorde histórico de preço não invalida a tese, se compararmos a criptomoeda à desvalorização das moedas fiduciárias no mesmo período. Ou seja, a vantagem econômica do Bitcoin sobre outros ativos financeiros é facilmente apreensível, afirma Perini.

O terceiro fator diz respeito ao valor social da tecnologia em questão e o prestígio social de quem a adota. Perini relembra uma experiência pessoal para explicitar a mudança na percepção do status social do Bitcoin em um curto espaço de tempo:

“Até pouco tempo atrás não havia prestígio algum nas criptomoedas. Em 2018, por exemplo, lembro que falei em uma roda de investidores/analistas que tinha Bitcoins no meu portfólio. Neste momento, me olharam como se eu tivesse dito que o uso de crack podia ser compatível com uma vida saudável (não, não pode… melhor deixar claro).”

Àqueles que ignoram ou subestimam o efeito do status social em relação à ampla adoção de tecnologias emergentes, Perini conta como os códigos de conduta dos samurais adeptos de armas brancas barrou a incorporação de armas de fogo à sociedade japonesa até o século 19.

Somente quando a esquadra norte-americana sitiou o Japão armada de canhões em uma clara demonstração de superioridade militar, os japoneses revisaram seu conceito sobre as potenciais vantagens da pólvora como arma de combate.

Provavelmente, diz Perini, se as criptomoedas continuassem a ser entendidas como um instrumento para criminosos e traficantes contornarem as leis em benefício de suas atividades ilícitas, dificilmente elas teriam alcançado a aceitação que têm hoje.

À medida que empreendedores e investidores do setor se tornam bilionários, instituições financeiras tradicionais passam a incorporá-los entre seus produtos de investimento, empresas a adicionam ao seu balanço patrimonial, celebridades do universo dos esportes e do entretenimento tornam-se adeptos, e países como El Salvador e agora a República Centro Africana tenham adotado o Bitcoin como moeda oficial, o prestígio das criptomoedas é um fenômeno global.

O último fator é a compatibilidade da referida tecnologia com o capital nela investido.

Com uma capitalização de mercado de aproximadamente US$ 2 trilhões, que já chegou a ultrapassar os US$ 3 trilhões no fim do ano passado, nem mesmo os embates regulatórios que já estão ocorrendo em diversos países do mundo, inclusive no Brasil, serão capazes de barrar o avanço da tecnologia, afirma Perini:

“No começo, quando ninguém conhecia o Bitcoin, exceto alguns poucos cyberpunks, seria fácil legislar contra as criptos. Agora, depois de milhões de usuários e com empresas deste universo possuindo dinheiro e conexões suficientes para fazer lobby em congressos pelo mundo, esta é uma missão muito mais complicada.”

Perini destaca ainda que os quatro fatores costumam se impor de forma coordenada sobre a sociedade, gerando um ciclo de retroalimentação revolucionário, no sentido de que não há forças sociais, políticas ou econômicas capazes de interrompê-lo.

Retomando a comparação da ascensão das criptomoedas à Revolução Francesa, Perini conclui que a “revolução das criptomoedas” está em andamento, colocando em risco a soberania das moedas fiduciárias que atualmente estruturam o sistema financeiro internacional:

“Voltando à Revolução Francesa, vale citar que, após a queda da Bastilha, ainda tivemos quase 4 anos até o dia que Luís XVI perdeu a cabeça na guilhotina revolucionária. No mundo atual, a Bastilha está caindo pedra por pedra neste momento, resta saber até quando as moedas fiduciárias manterão suas coroas frente à revolução das criptomoedas.”

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, existem movimentos para transformar o Bitcoin em moeda de curso legal em alguns países da América Latina. O México poderá ser o próximo, embora eminentes defensores da proposta, como o bilionário Ricardo Salinas, assumam que se trata de uma “batalha difícil”.

LEIA MAIS

Você pode gostar...