Empresa desenvolve projeto para ‘imortalizar’ as pessoas no metaverso

Ideia da Somnium Space é coletar o máximo de informações das pessoas para armazenar dados a serem duplicados em avatares no modo ‘live forever’.

Artur Sychov perdeu o chão há cinco ano quando descobriu que um tipo agressivo de câncer levaria o pai dele em pouco tempo. Tão grande quando a dor da iminente perda, o sentimento de saber que seus filhos cresceriam sem a memória do avô também devastou o CEO e fundador da empresa tcheca Somnium Space, segundo ele revelou em entrevista à revista Vice. Enquanto a saudade se aproximava, Artur se perguntava se havia algum jeito de seus filhos conversarem com o avô deles depois que ele se fosse, questionamento pode ser considerado o embrião do nascimento de um projeto para ‘eternizar’ as pessoas no metaverso

Trata-se do modo “Live Forever”, que é um recurso em desenvolvimento pela plataforma que, ao ser ativado, vai armazenar as informações das pessoas, como a fala, os movimentos e os gestos. Os quais deverão ser duplicados na forma de avatares, que se comportarão como elas,  depois de suas mortes. 

Literalmente, se eu morrer – e eu tiver esses dados coletados – as pessoas podem vir ou meus filhos, eles podem entrar e podem conversar com meu avatar, com meus movimentos, com minha voz. Você vai conhecer a pessoa. E você talvez nos primeiros dez minutos enquanto conversa com essa pessoa, você não saberia que na verdade é IA [Inteligência Artificial]. Esse é o objetivo, explicou. 

O CEO  da Somnium Space disse ainda que estes são os tipos de inovação que dão ao metaverso a chance de se transformar em uma nova arena da experiência humana, algo que, para ele, é muito mais profundo do que vender marcas e tokens não fungíveis (NFTs) neste novo universo virtual. 

Ele acrescentou que a ideia se revelou quando ele percebeu o potencial de coleta de dados da realidade virtual, qualificada como “mágica” pelo empresário. 

A quantidade de dados que potencialmente poderíamos registrar sobre você provavelmente está na magnitude de, eu diria realisticamente, 100 a 300 vezes mais do que quando você está em um telefone celular. A tecnologia de realidade virtual pode coletar a maneira como seus dedos, boca, olhos e corpo inteiro se movem e identificá-lo rapidamente  com mais precisão do que impressões digitais, argumentou.  

O projeto também está calcado em uma pesquisa publicada pela revista Nature apontando que após cinco minutos de rastreamento dos movimentos corporais das pessoas, a tecnologia virtual poderia identificá-las com 95% de precisão. 

Além disso, a Somnium Space  investiu em uma parceria com a empresa Teslasuit que, apesar do nome, não possui relação com o bilionário Elon Musk. Neste caso, a Teslasuit disponibilizará um traje, em desenvolvimento, que permitirá às pessoas receberem sinais elétricos compatíveis com o toque humano, e fornecerem dados extras em razão da inclusão de um scaner biométrico para coleta de níveis cartiacos e de estresse. O que deverá possibilitar a capitação de dados a serem armazenados e espelhados nos avatares, a fim de “imortalizar” as pessoas. 

Podemos pegar esses dados e aplicar IA a eles e recriá-lo como um avatar em seu terreno ou dentro de seu mundo NFT, e as pessoas poderão vir e conversar com você, frisou Sychov. 

O empresário disse que a empresa pretende iniciar ainda este ano o processo de armazenamento de dados e lançar até 2023 as primeiras versões de avatares de seus usuários. Mas salientou que o modo “Live Forever” ficará desativado por padrão e a empresão não coletará dados de ninguém, a menos que os usuários optem por pagar por este serviço, embora não tenha revelado o custo do armazenamento. 

Possivelmente despreocupados com a morte, muitos jovens já estão no metaverso. Mas por outro motivo: empreender e faturar milhões. Alguns deles, aos treze anos, já fizeram fortuna neste mundo virtual, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

 

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