Negocie com moderação: Clínica na Escócia tem tratamento especial para os ‘viciados em Bitcoin’

Uma clínica médica na Escócia se especializou no tratamento dos viciados em Bitcoin e criptomoedas, pessoas, geralmente traders que não conseguem controlar seus impulsos e perdem até a família

Uma clínica médica na Escócia se especializou no tratamento dos viciados em Bitcoin e criptomoedas, pessoas, geralmente traders que não conseguem controlar seus impulsos e fazem da atividade de compra e venda de criptoativos sua única forma de viver.

Segundo Tony Marini, o principal conselheiro da clínica de dependência de Bitcoin no hospital Castle Craig em Peebles, o centro vinha recebendo pacientes desde sua abertura em 2018, porém, no último ano o número subiu exponencialmente e, atualmente, mais de 100 pessoas já passaram pela clínica para se curar de seu vício em Bitcoin.

Entre eles está um homem britânico que adotou o pseudônimo de Jake e que contou sua história à BBC.

Atualmente em tratamento, Jake disse que perdeu milhões de libras negociando criptomoedas e que começou a negociar criptoativos ainda em 2015, porém de forma moderada.

Mas conforme o mercado de criptoativos foi crescendo o apetite do investidor também foi aumentando e, com ele, sua sede pela adrenalina das negociações.

“Posso apontar o momento exato em que se tornou um problema. Eu estava perdendo toda a soma que reservei para negociar, mas entrei em uma operação e estava disposto a arriscar a última quantia que tinha. Então acabei recuperando praticamente tudo que perdi em uma única negociação. A sensação era de absoluta euforia”, disse.

Porém a euforia da vitória apenas escondeu uma situação psicológica mais delicada na qual Jake apresenta dificuldades para lidar com os problemas em seu casamento e na vida pessoal, o que levou a adrenalina do mercado de criptoativos a ser seu refúgio e seu vício.

E, assim, viciado na sua atividade e sem pensar nas consequências, Jake passou a roubar para sustentar seu vício.

Como trabalhava com gestão financeira administrando investimento de centenas de clientes, ele começou a pegar os recusos destes clientes e negociar no mercado de criptoativos na esperança de aumentar seus lucros pessoais.

“A primeira vez que peguei, perdi tudo em cerca de 20 minutos uma noite. O mercado mudou muito rapidamente e eu liquidei tudo”, destacou.

Resultado, Jake enfrenta acusações criminais por peculato e já teve que devolver 1,5 milhão de libras ao empregador com a ajuda de sua família.

Uma história sem um final feliz

O programa de tratamento idealizado na clinica da Escócia está mais próximo dos métodos existentes para o tratamento de vícios em jogos de azar, e não para programas de tratamento de vício em drogras.

Tony Marini, um dos diretores do Centro é também um ex-viciado em apostas e cocaína e, portanto, diz conhecer como sair da ‘lama’ da negociações.

“Eu vejo o comércio de criptomoedas como uma forma de as pessoas escaparem de si mesmas, para outro mundo, porque não gostam do mundo em que estão. A primeira etapa do tratamento é juntar-se a outros viciados na terapia de grupo e compartilhar suas histórias de vida. Isso os ajuda a se identificar e perceber que não estão sozinhos ” disse.

Recentemente o The New York Times revelou a história de Richard Dobatse, mostrando como uma atividade que começou como hobbie passou a ser sua ruína ao se tornar um vício e provocar um desastre financeiro.

Dobatse é um médico da marinha americana que começou na Robinhood em 2017 e ficou empolgado com a plataforma e com as possibilidades de lucratividade. Resultado, pegou US$ 15.000 emprestados no cartão de crédito para começar a operar.

Porém os confetes que a Robinhood exibe na tela quando um usuário acerta e “lucra” não estavam caindo para Dobtse que só perdia.

Mas o médico não desistiu e resolveu apostar mais e pegou dois empréstimos de US$ 30 mil dando sua casa como garantia. Com novos recursos e mais experiente, chegou a ter US$ 1 milhão na conta porém perdeu quase tudo e agora luta para recuperar seu dinheiro ao mesmo tempo que tenta salvar sua vida pessoal dilacerada pela adrenalina das negociações.

A mesma “sorte” não teve o jovem Alexander Kearns, um cliente de 20 anos de idade da plataforma de negociação de ações e criptomoedas Robinhood que cometeu suicídio depois de ver um saldo negativo de mais de US$ 730.000 em sua conta.

Kearns tirou a própria vida se jogando na frente de um trem em Plainfield, Illinois.

A tragédia ficou amplamente conhecida nos EUA e chamou a atenção para os perigos potenciais do boom do livre comércio inspirado por Robinhood.

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