CEO da Coinext José Ribeiro Sobre o Bitcoin e o Mercado em Entrevista Exclusiva

Na entrevista exclusiva para a BeInCrypto BR, o experiente CEO da Coinext – Exchange de Bitcoin, Ethereum, Litecoin e Ripple – fala sobre o Bitcoin, o Blockchain, a regulamentação do mercado e sobre o PIX, sistema de pagamentos instantâneos do BACEN.

Em tempos de crise econômica, é recomendável escutar a posição de um especialista sobre o mercado.

Por isso, a BeInCrypto Brazil buscou a opinião de José Ribeiro, CEO fundador da Coinext, Exchange de criptomoedas com forte atuação no Brasil.

Durante a cativante entrevista , José explica o seu ponto de vista sobre vários assuntos relacionados ao mundo do Bitcoin e do setor dos criptoativos em geral.

Acompanhe a entrevista na sequência!

José Arthur Ribeiro é formado pela Università di Roma (Itália) e pela PUC-SP, além de possuir MBA Executivo pela tradicional Fundação Dom Cabral. Investe em criptomoedas desde 2014 e é o fundador da Coinext.

Bitcoin Funciona Como Safe Haven

Na opinião de José, o Bitcoin pode ser utilizado como reserva de valor, pois apresenta características que fazem com que ele seja um ativo não-inflacionário.

Bitcoin não sofre pressão inflacionária

Por ser limitado a 21 milhões de unidades, o BTC não sofre com ações arbitrárias de governos e Bancos Centrais.

Não há impressão desregrada de dinheiro e tampouco injeção de liquidez incessante na economia. A escassez do Bitcoin tende a valorizar o criptoativo no longo prazo, bem como a maneira como ele é minerado.

Segundo José, a curva de inflação do Bitcoin é negativa quando ocorre a mineração devido ao halving periódico da criptomoeda.

Ativo de refúgio de médio e longo prazo

O momento atual é interessante para os novos investidores interessados no Bitcoin, já que o ativo sofreu uma desvalorização recente por conta da crise do novo coronavírus (COVID-19).

Apesar da desvalorização, o BTC subiu de preço quase que imediatamente, o que mostra a resiliência da moeda: o mercado global vê o Bitcoin como um ativo forte, na opinião de José Ribeiro.

Porém, o entrevistado destaca que, a curto prazo, a sua utilização como ativo refúgio não é tão interessante, devido à flutuação constante do seu valor.

Assim, quem deseja investir no BTC como ativo refúgio deve pensar num prazo de aproximadamente dois anos para ver o seu valor subir a um patamar interessante, de acordo com o CEO.

Halving do Bitcoin

A expectativa é boa para o halving, segundo a opinião de José.

A crise do coronavírus terá um impacto negativo no valor, mas o CEO ainda acredita que haverá valorização do criptoativo, mesmo que em patamar menor do que nos outros halvings. Historicamente, o desempenho durante o halving sempre foi positivo.

Nos próximos dias, José crê na tendência de que a mídia trate bastante sobre o assunto.

Política de Liquidez Excessiva dos BC’s Assusta

Na análise de José Ribeiro, a política de injeção de liquidez promovida pelos Bancos Centrais de todo o mundo terá consequências graves para a população.

No Brasil, não é diferente: o BACEN anunciou medidas para injetar R$ 2,4 trilhões na economia nacional.

Mais preocupante do que a crise pelo isolamento social é a forma com a qual os governantes estão tentando resolver essa crise, de acordo com José:

Parece ser desesperado! Aparentemente, estão aproveitando a crise para resolver outros problemas criados pelo próprio governo.

Depois de 2008, houve um afrouxamento monetário nos EUA após a quebra do Lehman Brothers. O FED injetou muita liquidez na economia e continua a fazê-lo desde então.

A experimentação é muito arriscada e quem vai pagar a conta é a sociedade.

Teremos descrédito das pessoas para com o governo.

Como eles [os governos] vão trabalhar com esse endividamento impagável? Será que as pessoas vão dar valor para a moeda que foi usurpada por parte dos governos através da utilização dos BC’s como impressoras de dinheiro?

Nesta linha, José enxerga que haverá descrédito geral em relação às moedas, cuja desvalorização tende a aumentar com a injeção exagerada de liquidez.

Há grande risco de o dólar perder o posto de ativo referência do mundo por conta da sua crescente desvalorização, diz o CEO da Coinext.

A Coinext Nos Tempos de Crise

De acordo com o CEO da Coinext, o impacto da crise na área operacional da Exchange não foi tão grave, tendo em vista que o negócio é totalmente digital.

Operações internas da Coinext

A equipe de suporte da Coinext foi colocada imediatamente em home office, sendo que todos os cuidados com a segurança da informação estão sendo tomados em relação a quem está trabalhando de casa.

Para incrementar a segurança, as ferramentas profissionais de VPN auxiliam muito. Além disso, com os aplicativos de videoconferência, é possível fazer quase tudo à distância, sem grandes entraves.

Negociações em alta

No mercado de criptomoedas, houve recorde de negociações nos dias 12, 13 e 16 de março. Dessa maneira, a Exchange não sofreu um impacto negativo com a crise provocada pelo COVID-19.

Para a Exchange, o mercado volátil significa muitas transações.

O consumidor, pelo outro lado, não enfrenta nenhum risco, já que a Carteira da Coinext possui apólice de seguros, além das ferramentas de stop loss que auxiliam os investidores durante as variações excessivas no valor das criptomoedas.

Sistema PIX e o Bitcoin

José crê na utilidade do PIX, sistema de pagamentos instantâneos proposto pelo Banco Central.

Nesta linha, ele pensa que não haverá “competição” entre o PIX e o Bitcoin:

Não vejo o Bitcoin como uma ferramenta ideal para micro pagamentos.

Cada vez mais, o Bitcoin será utilizado como reserva de valor e para os pagamentos internacionais, quando essa possibilidade for regulamentada no país.

O Sistema PIX vai ser bom para a sociedade, de maneira geral, pois significa avanço tecnológico e barateamento das transações. Sem os intermediários tradicionais, o consumidor sai beneficiado.

O impacto é positivo para a Coinext, já que os investidores poderão fazer transferências imediatas para a plataforma.

Porém, há certo risco para os projetos de micro pagamentos baseados em blockchain.

 

O Brasil Não Deve Bater de Frente Com a China e EUA

José Ribeiro não vê o Brasil atual em condições de bater de frente com os EUA e a China no campo do avanço tecnológico:

China e o domínio da tecnologia

A China domina o mercado internacional de tecnologia.

Nas últimas décadas, o país se transformou no parque industrial do mundo e provavelmente o continuará sendo por um bom tempo.

Outra questão crucial é que a China acumula um verdadeiro “banco de matéria-prima” em outros países menos desenvolvidos, como é o caso do Brasil.

No caso da experimentação com o Blockchain, José acredita que os chineses estão dando passos para se tornarem a próxima referência monetária do mundo.

Na opinião do CEO, o melhor para o Brasil é se colocar como um parceiro comercial dessas potências:

O Brasil está largando atrás. É extremamente difícil competir com a China e EUA pelo domínio das ferramentas tecnológicas. O Brasil possui uma vasta riqueza mineral e natural. Para nós, é importante o posicionamento estratégico na questão, já que os países desenvolvidos dependem dos nossos recursos

Iniciativas interessantes em outros lugares do mundo

O CEO da Coinext não acredita que a “indústria global” do blockchain está concentrada no Vale do Silício.

Segundo a análise de José, há diversas iniciativas de valor em Israel, Índia e na Coréia do Sul, por exemplo.

O blockchain permite a democratização do desenvolvimento tecnológico ao redor do mundo.

Os ICO’s (initial Coin Offering) estão ocorrendo em todos os lugares e permitem que estrangeiros invistam em qualquer parte do mundo.

Regulamentação é Positiva Para o Setor Cripto

Atualmente, o setor de criptomoedas está esperando a sua regulamentação pelas entidades governamentais.

No Legislativo, a iniciativa mais avançada é o Projeto de Lei 2303/2015.

Perguntado sobre a perspectiva de regulamentação das criptomoedas nos próximos anos, José se mostrou extremamente otimista:

As Exchanges de criptomoedas passaram por um cenário difícil em 2017 e 2018.

Porém, as mudanças do Projeto de Lei de Regulamentação trazem avanços que aproximam o tema da abordagem realizada pelos EUA e Japão.

Assim, a maneira como o PL caminha trás mais benefícios do que riscos.

A aproximação do governo atual com o tema, que é mais aberto, ajuda muito. Paulo Guedes demonstra gostar do blockchain. A renovação do Congresso permite com que existam discussões mais avançadas a respeito do tema.

Por fim, o fato de que o Governo de situação é liberal também é muito positivo para o mercado das criptos.

Palavras Finais: Educação Financeira é Essencial

No fechamento da produtiva entrevista, José Ribeiro falou a respeito de alguns temas relacionados à adoção do Bitcoin no Brasil:

O Que Falta Para o BTC Ser Mais Adotado?

Falta educação financeira, disseminação de conhecimento. O maior desafio é criar uma sociedade madura o suficiente para discutir o mercado das criptomoedas.

Outro entrave são as empresas de tecnologia que não têm interesse na disseminação do blockchain e do Bitcoin, já que essas plataformas afetam alguns monopólios.

Finalmente,  as fraudes e a cultura de querer ganhar fácil atrapalham bastante o setor.

Dica do CEO da Coinext Para Os Novos Investidores

Quem quer entrar nesse mercado tem que experimentar com responsabilidade.

No princípio, vale colocar um pouco de dinheiro para testar e experimentar a plataforma e entender como funcionam os processos de compra e venda de criptomoedas, além de aprender sobre como acompanhar um gráfico.

A partir disso, recomendo que o investimento em criptomoedas seja limitado a 5% do portfólio, pois elas são ativos extremamente voláteis.

Para investimento de longo prazo, é obrigatório considerar as criptomoedas como uma opção viável.

No curto prazo, chega a ser viciante negociar com tamanha volatibidade.

Frase Final de José Ribeiro

É importante estudar sobre as criptomoedas para investir com segurança. Além disso, saiba que Exchange não é carteira! Você sempre tem que ser o dono do seu próprio dinheiro!

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