Protocolo DeFi brasileiro cria mecanismo para evitar desvalorização de tokens distribuídos em airdrops

A Pods Finance e a Sablier Finance criaram um sistema que combina opções a contratos inteligentes que determinam um parâmetro temporal para a efetivação de depósitos para evitar que os beneficiários de airdrops vendam seus tokens logo após a distribuição, provocando sua desvalorização.

Airdrops costumam ser eventos altamente aguardados pela comunidade cripto – e muitas vezes frustrantes também. Em geral, os usuários são recompensados retroativamente por terem contribuído para o desenvolvimento e a adoção de um protocolo, interagindo com a plataforma anteriormente ao lançamento de seu token nativo.

No entanto, historicamente tem sido uma prática comum que os usuários beneficiados pela distribuição gratuita de tokens despejem suas moedas no mercado logo após recebê-las, pressionando negativamente o preço do ativo. Dados levantados por um pesquisador da Messari revelam que vender as criptomoedas recebidas em airdrops uma semana após o início da distribuição é 112,5% mais lucrativo do que mantê-las para além desse período.

Para atacar esse problema e tornar os airdrops mais saudáveis para toda a comunidade envolvida, incluindo desenvolvedores e usuários o protocolo DeFi (finaças descentralizadas) Pods Finance se uniu à Sabier Finance para criar o “Airdrip”, um mecanismo capaz de mitigar a desvalorização dos tokens logo após sua distribuição. O sistema combina opções de compra combinado a um cronograma de aquisição programada.

O modelo clássico dos airdrops permite que os usuários reivindiquem os tokens a que têm direito imediatamente após o lançamento. Esse acesso praticamente instantâneo permite que os primeiros beneficiários que se desfizerem de suas posições consigam obter um melhor preço ao vender os ativos recebidos, gerando forte pressão negativa sobre o seu valor no mercado à vista.

Ao adicionar duas camadas de intermediação entre o protocolo e os usuários com opções de compra e aquisição programada, o “Airdrip” torna possível diluir a distribuição dos tokens ao longo do tempo, reduzindo o impacto imediato sobre o preço dos mesmos no mercado.

Opções de compra

Opções de compra criam uma relação contratual entre duas partes, onde o comprador da opção adquire o direito de comprar um ativo (chamado de ativo subjacente) a um preço predeterminado (chamado de preço de exercício), enquanto o vendedor da opção tem a obrigação de vender o ativo pelo preço de exercício.

Se o preço de exercício for inferior ao preço à vista do ativo no mercado, o comprador da opção pode adquirir o ativo com desconto. Nesse caso, o titular pode exercer a opção de compra com lucro. Opções de compra tanto podem ter uma data definida para que o comprador exerça seu direito ou não quanto podem delimitar um período de tempo dentro do qual o direito possa ser exercido.

Para os vendedores de opções, a negociação é interessante porque eles recebem um pagamento (prêmio) dos compradores de opções pelo risco que estão assumindo – possivelmente serem obrigados a vender o ativo com desconto no futuro. Além disso, se a opção de compra não for exercida, caso o preço de exercício seja superior ao preço à vista do ativo na data do vencimento, o vendedor lucra com o prêmio recebido.

Por fim, opções de compra tem duas modalidades de liquidação: à vista ou física. Tratando-se de airdrops, a segunda opção faz mais sentido, pois ela pressupõe que todos os ativos colaterais serão transferidos. O titular da opção envia o ativo de exercício ao vendedor e, em contrapartida, o vendedor transfere a ele o ativo subjacente.

Ao aderir ao “Airdrip” e distribuir de opções de compra aos usuários, o protocolo abre mão do prêmio e dá a opção aos usuários “gratuitamente”.

Por sua vez, os contratos de aquisição programada baseiam-se  em contratos inteligentes que adicionam uma condição de tempo a um depósito, determinando que o beneficiário só receba os fundos integralmente após um determinado período de tempo.

Usar um contrato de aquisição programada associado a uma opção de compra permite que os usuários reivindiquem apenas uma parte do total de tokens a que têm direito, dependendo de como o cronograma de aquisição é pré-determinado.

“Airdrip”

Assim, o “Airdrip” surge como uma alternativa aos airdrops tradicionais ao oferecer uma série de vantagens aos protocolos e, consequentemente, a toda a comunidade.

Os usuários só poderão exercer suas opções com o passar do tempo, portanto, não há risco de o mercado ser inundado pelos tokens distribuídos. Os usuários terão um incentivo antes inexistente para manter os tokens por mais tempo, esperando uma data para exercer a opção de compra. E, principalmente, os usuários só exercerão a opção de compra se o preço fizer sentido. Caso contrário, o projeto receberá seus tokens de volta.

Há ainda duas vantagens adicionais para as partes envolvidas. Para os usuários, as opções de compra só se tornam tributáveis caso elas sejam de fato exercidas. Já o protocolo receberia o ativo de exercício (geralmente uma stablecoin) caso o direito seja exercido, contribuindo para diversficação do seu tesouro.

É verdade que o modelo proposto pela Pods Finance faz com que o airdrop deixe de ser gratuito e o incentivo se torna condicional. Os beneficiários do “Airdrip” podem exercer ou não a opção de compra em função das condições do mercado.

Ou seja, os usuários exerceriam a opção de compra exclusivamente se o desconto em relação ao preço do mercado à vista for relevante. Caso contrário, os tokens vinculados à opção de compra retornam para o tesouro do projeto.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, a Pods Finance é um protocolo DeFi de compra e venda de opções descentralizadas e não custodiais liderado por desenvolvedores brasileiros.

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