Bitcoin, Blockchain e Muito Dinheiro: Entrevista com o pesquisador Christian Aranha

A história do Bitcoin, as transformações do dinheiro, o movimento cyberpunk e quem foi Satoshi Nakamoto, são alguns dos diversos temas abordados no livro de Christian Aranha.

Em ‘Bitcoin, Blockchain e Muito Dinheiro’, Aranha convida os leitores a refletir o que define dinheiro nos dias de hoje. E afinal, como o bitcoin pode ser “uma nova chance para o mundo”.

Muito mais do que apenas uma nova classe de investimento, o pesquisador demonstra em seu livro como o bitcoin abre as portas para um novo tipo de troca entre as pessoas. Uma tecnologia que extrapola o mundo tradicional das finanças, liberta e se torna uma verdadeira causa social.

A criptomoeda mais famosa do mundo, no entanto, ainda é enigmática para a maioria das pessoas. Justamente para ajudar no debate qualificado sobre o assunto, Aranha apresenta as diferentes facetas da tecnologia disruptiva em seu mais recente livro, lançado ano passado pela editora Valentina.

Christian Aranha é mestre em Estatística e doutor em Inteligência Computacional. Há 16 anos atrás ele fundou a Cortex, uma das primeiras empresas de Big Data do Brasil.

Aranha concedeu uma entrevista exclusiva ao BeInCrypto para compartilhar sua visão sobre o atual mercado das criptomoedas no Brasil e no mundo. Confira abaixo:

Qual foi o momento que você ouviu falar sobre o bitcoin pela primeira vez e o que te fez se dedicar, tanto no trabalho quanto na pesquisa, à tecnologia?

Estava fazendo meus pós-doc em Inteligência Artificial na FGV em 2012 quando me deparei com o Bitcoin. Era um vídeo no Youtube e posts no Slashdot. Virei três noites reassistindo e assustado com o que eu estava vendo. Na época nem havia o conceito de Blockchain ainda, era só o Bitcoin.

Naquele momento, sai da empresa em que trabalhava e fundei a Entropia para poder focar no emergente mercado de criptos e blockchain. De lá sairam startups de boletins do mercado cripto, exchanges de negociação, os primeiros cursos de Ethereum e a EOSRio, um dos vinte pólos selecionados do mundo para processar a rede EOS, que teve o maior ICO da história.

O que te motivou a escrever um livro sobre bitcoin e o que você aborda na sua escrita?

Durante os anos seguintes comece a dar cursos e palestras sobre Bitcoin e criptomoedas. Já sabia as principais dúvidas que surgiam e elas não paravam de vir. Até que decidi escrever o livro para disseminar o conhecimento e não precisar mais repetir as mesmas respostas. Mesmo com todo meu currículo, demorei para entender toda a tecnologia e os impactos, então decidi documentar tudo até para mim mesmo.

O livro tem quatro blocos. O primeiro aborda os princípios econômicos do dinheiro, moeda fiat e o bitcoin. O segundo fala sobre o conceito de blockchain através da Ethereum, o terceiro se aprofunda na tecnologia, o quarto conta o estágio da regulamentação e o futuro do mercado.

Como você vê que será o futuro do bitcoin? No Brasil, você acha que a criptomoeda tem chances reais de ganhar o mainstream, ou a tendência é crescer entre os investidores de grande porte?

Bem, o meu livro foi feito justamente para ajudar o Bitcoin chegar no mainstream antes dos investidores de grande porte. Para mim bitcoin é principalmente uma causa social, que pode proteger o trabalhador da inflação e redistribuir a renda no mundo. Por isso, “uma nova chance para o mundo”.

Quais serão os principais desafios do mercado cripto no Brasil? 

Golpes. No Brasil as pessoas entram de cabeça sem nem conhecer. As celebridades tem muita força, o resto vai atrás. Por isso acho necessário avançar com a regulamentação.

Você acompanha as iniciativas que estão sendo lançadas no mercado brasileiro? Tem algum projeto que te chama atenção? 

Sim. Acompanho tudo. Principalmente a iniciativa da Hathor.network. Uma equipe muito boa que criou uma arquitetura nova de blockchain que atende uma das maiores necessidades de blockchain hoje em dia, tokenização e escalabilidade. Resumindo: DeFi.

Todo ano surgem tendências importantes que transformam a indústria cripto, como foi o DeFi em 2020. Como você acha que será 2021 para as criptomoedas? Alguma pista de onde estará a atenção dos entusiastas neste ano? 

Eu confesso que fiquei surpreso quando DeFi se tornou tendência. Nunca achei que chegaria. Se Bitcoin requer regulamentação e incomoda o sistema, DeFi mais ainda. 

2021 acho que vai ser o ano da tokenização. Por mais que já existam vários casos, está claro que a rede Ethereum não suporta a demanda, outra solução virá.

Além do bitcoin, quais outras criptomoedas do mercado você acredita que têm potencial de crescimento? 

No momento só enxergo três espaços que são concorridos por diversas criptos. O primeiro, claro, é o de reserva de valor ocupado pelo Bitcoin e Litecoin. O segundo é das DAOs ocupado hoje pela Ethereum, EOS, Cardano, Tezos e SOL. O terceiro é o da currency que pode ser Waves ou Hathor.

Como você acha que será o desempenho do bitcoin esse ano? Ele se manterá crescendo ou em algum momento vai atingir uma barreira e retroceder?

O Bitcoin segue uma matemática muito certeira de escassez de valores. Este ano está programado para atingir US$100.000,00 dólares. Bitcoin sempre estará em crescimento porque será cada vez mais escasso.

O artigo Bitcoin, Blockchain e Muito Dinheiro: Entrevista com o pesquisador Christian Aranha foi visto pela primeira vez em BeInCrypto.

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