Artista visual usa NFTs para renovar olhar sobre favelas e gerar renda em apoio a periferias do Rio de Janeiro

Morador da comunidade do Santo Amaro, na zona sul da capital carioca, o jovem Gean Guilherme começou a transformar suas obras em NFTs durante a pandemia do COVID-19 e hoje coordena um projeto social com foco no suporte a comunidades carentes e educação sobre o universo das criptomoedas.

Gean Guilherme já era um artista visual quando descobriu o universo dos NFTs durante a pandemia do COVID-19 e resolveu transformar os seus trabalhos em tokens não fungíveis de forma experimental. Aos poucos, suas obras começaram a ganhar a atenção dos colecionadores e os NFTs e as criptomoedas tornaram-se os alicerces de um projeto coletivo de ação social com foco nas favelas e periferias do Rio de Janeiro, onde Guilherme mora, relata reportagem do UOL. 

Guilherme afirma que os NFTs abriram uma nova perspectiva de exploração comercial dos seus trabalhos que até então era inexistente:

“É um jogo sinistro, mas é maneiro, porque deu independência para muitos artistas. Basicamente eu só usava meus 3Ds para postar no Instagram e ganhar like. Hoje em dia coloco nas plataformas e consigo tirar uma grana”.

Guilhemre conta que a venda do NFT “Menor Portando” foi a mais expressiva que realizou até hoje. Rendeu-lhe aproximadamente US$ 2.000 em Tezos (XTZ), token nativo da blockchain em que estão hospedados seus trabalhos.

Já o NFT do qual mais se orgulha foi inspirado na capa do álbum “Sobrevivendo no Inferno”, da banda de rap paulistana Racionais MC’s. Os recursos obtidos com a venda deste colecionável específico foi doada para o Instituto Ademafia de Cultura e Esporte, localizado no bairro da Glória, na zona sul do Rio de Janeiro.

SocialCryptoArt

Inicialmente, no auge da pandemia, metade do dinheiro arrecadado com as vendas de seus NFTs era destinada à compra de cestas básicas para distribuição entre os moradores do morro do Santo Amaro, comunidade onde Guilherme mora, na zona sul do Rio de Janeiro:

“A primeira ação foi para a compra de alimentos. A gente conseguiu arrecadar em criptomoedas e transformar em cestas básicas. Foi aí que percebi que era possível fazer alguma coisa com aquilo.”

Além da distribuição de cestas básicas e do apoio a instituições que oferecem assistência a comunidades carentes, o SocialCryptoArt promove iniciativas educacionais para incentivar a adoção de criptoativos entre jovens da periferia.

O projeto tomou proporções maiores à medida que o jovem artista reuniu seus NFTs em uma plataforma digital e a administração do tempo e dos recursos passou a tomar parte do tempo ao qual ele se dedicava à própria produção. Para que o SocialCriptoArt pudesse continuar crescendo de forma sustentável, Guilherme resolveu convidar outros artistas e designers para dividir a plataforma virtual com ele:

“Se eu não tiver tempo para fazer as artes, não vai ter venda e não vai ter dinheiro para projeto algum. Aí eu pensei em transformar: ao invés daquilo vir só de mim, poderia surgir de várias outras pessoas para descentralizar essa responsabilidade social que eu estava agarrando.”

A partir da colaboração de outros criadores, surgiu a oportunidade de produzir novas séries de NFTs, arrecadando mais recursos e possibilitando a ampliação do projeto para atender também a outras comunidades periféricas da capital fluminense.

Um dos projetos mais ambiciosos de expansão do SocialCryptoArt é a criação de um marketplace próprio para comercialização de tokens não fungíveis de artistas brasileiros e estrangeiros. A ideia é que parte das receitas geradas pelo marketplace sejam destinadas a projetos sociais, assim como já ocorre com os NFTs do projeto.

Educação

O outro foco do projeto é investir na educação para desmistificar o universo dos NFTs e das criptomoedas para os jovens de comunidades periféricas, afirma:

“Nosso maior objetivo é a educação, porque a galera nem imagina o que é NFT e acaba colocando muita coisa na cabeça. Eles não têm um olhar para esses usos da tecnologia, um olhar social.”

Guilherme idealiza formar novos artistas que possam trazer um olhar periférico e original ao espaço cripto. Ele cita como exemplo a sua própria obra, que se apropria de recursos 3D para criar novas perspectivas de enxergar a favela:

“O foco é criar perspectiva nesses lugares que a gente nem sempre sabe se vai ficar vivo. A criação do futuro da favela com sensibilidade pode movimentar o morro”.

Em maio deste ano, o projeto Gerando Falcões lançou o game “Missão Favela X” para levar a periferia ao metaverso e contribuir para transformar a realidade de comunidades carentes através dos novos ambientes virtuais emergentes, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil na ocasião.

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